Sábado, Novembro 14, 2009

Quem é,é.*

Lá, lá mesmo, bem no meio daqueles carros e daquela fumaça ele pediu um beijo. Não, não pediu, desculpe, ele forçou um beijo. Ela suja, sentada no concreto, opção mais macia que ela tinha, ela tinha cheiro de algo vencido, e antes de tudo isso ela dormia, em paz, mas dormia. Depois de algumas horas ele apareceu e ele sentou, bem ali ao lado dela, sujo também, não se via cor, nem sentia-se cheiro, a fumaça penetrava nos seus ouvidos e narizes, o cabelo endurecia com as palavras dele entrando num ouvido que nem função mais tinha. Ela só sabia negar, mas este gesto ela não o fez com as palavras, ela movimentava o rosto para a boca dele, suja também, sem nenhuma lavagem, penetrasse de alguma forma na sua pele, suja. Com a ajuda das mãos ela o afastava, pois sabia que não suportaria aquele homem ao seu lado, aquele corpo já usado e frágil, aquele sexo em que ela já sabia todos os movimentos e a sequência, aquele cheiro final e depois a despedida. Não, ela não queria, e não havia nenhuma resistência para isso. Ela nunca o amou, ela queria ali, olhar os carros, sentir algum outro cheiro, pedir para alguém algum carinho rápido, ela queria a vida dela, e só dela. E ele ali, sem saber o que queria, querendo pelo menos um toque, qualquer movimento errado dela ele entenderia como um sim, de tanta fome daquele corpo que ele estava. Se deixarmos, os corpos viram um só, e os corpos sujos nunca são dois, não poderiam.

Quinta-feira, Novembro 12, 2009

Pena daqueles.*

Todo mundo gosta de integração.
Desde que a racionalidade da integração respeite a sua própria racionalidade.

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

Soma+2*

- Você está mais bonita...
- Estou? Não reparei...
- Sim, mas eu reparo, não se preocupe.

Da série: o velho e o novo.*

Acordei caindo da cama. Meus pés arrastavam no chão e o travesseiro subia na parede.Abri o armário e nada do meu tamanho, o espelho que trazia minha imagem só cobria metade do meu rosto, os pingos do chuveiro não conseguiam mais me limpar.
O chão de casa sofre com cada pisada minha, há trincas na parede e o telhado só vejo metade,assim consigo ver o céu, olhar de cima toda a bobagem pequena que um dia, eu achei que fosse maior que eu.

Desfile.*

Tem gente que é só um rostinho bonito. Nada mais.

Sexta-feira, Novembro 06, 2009

Ah!*

Gosto quando eu gosto de algo que nunca pensei em gostar.

Eu, eu e eu.*

Fiquei com certa saudade de sentir aquilo de antes quando vi você descer a escada.
Fiquei ansiosa para saber o que será de mim sem o que eu já conheço.

Quinta-feira, Novembro 05, 2009

I'm so sorry...*

O que é bom para mim nem sempre é bom para outra pessoa.

Ocasionais.*

No dia que você precisar de mim, eu vou publicar. Melhor,vou colocar todas minhas palavras em faixas imensas espalhadas na cidade. Não quero mais soltar uma letra na sua direção nem mesmo pensar que um dia eu fui aquela que tentou explicar.
Sinto pavor só de pensar no meu passado e no meu caminho junto à você. Das suas caretices e do seu modo de andar, que hoje, me irrita e me torna impaciente. Das suas frases copiadas de algum autor que nunca irá lembrar o nome, da sua risada forçada para que todos sejam espelhos. Da sua imitação da vida, do irreal dos seus sentido,do seu fingimento no prazer.
Eu vou publicar,mas não estas palavras, vou deixar frases por aí e assim eu terei meu prazer mais puro, dentro do meu grito. Publicarei e você sentirá vergonha, vergonha de si, vergonha de tudo que você acha que é você.
Não tema, não colocarei destinatários ou mesmo algum título indireto, sou uma autora que não escreve para alguém, mas sim, para todos e para todos em mim. Por isso, ao ler a faixa que estará por todos os lugares que você passa, por este seu caminho rotineiro, pálido, burocrático e pequeno, não pense em me agradecer, nem em pensamento, nem por engano.

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

Tem dias que a gente se sente...*

Tem uma mistura de raiva e alívio.

Segunda-feira, Outubro 26, 2009

No alcool, please.*

Doces respostas.
Gosto de quem cuida (um pouco) de mim.

Não é sobre sufoco*

-Você tem idéia para onde isto vai nos levar?
Depois da pergunta que ele fez, ela ficou por ali mesmo, deitada na grama, no mesmo cenário da conversa. Deitou e ele continuou caminhando enquanto ela buscava a blusa para a proteção do vento que fazia. Abriu a mochila(dele) e depois o seu casaco, pequeno, delicado, mas um tanto amassado pelos objetos(dele). Colocou o braço direito na manga esquerda e percebeu que algo de errado estava fazendo. Tentou tirar o braço dali, mas por alguma outra atitude que tomara naquele instante, da qual ela não lembra, não conseguia tirar o casaco.
Tentou avista-lo para saber por onde caminhava para depois assim, segui-lo e encontra-lo em alguns passos um pouco rapidos. Não conseguia, já que o capuz do casaco tampava sua visão. Tentou virar o pescoço e lembrou que ele não faz uma volta de 360 graus e o oxigênio começou a faltar. Gritar não adiantaria, já que sua voz ficara abafada pelo tecido e ali nem sabia mais em qual braço estava o que.Resolvera então, caminhar e seguir uma direção, já que o lugar era bem familiar, e assim, quem sabe pela voz ela poderia reconhecê-lo, mesmo no meio daquela multidão. Colocou os braços à frente do corpo e foi apalpando tudo que estava em seu caminho, como uma forma de proteção. Sem medo perguntava para algumas vozes proximas se alguém com as características dele havia passado por ali, assim, juntaria informações e pistas. Não. Ninguém havia visto algo como ele por ali e como ela poderia explicar mais? Teria assim que soltar alguma intimidade(algo que não sabe fazer) para quem sabe, obter alguma direção. "Ele deve estar andando por aí, me procurando", ela pensou. Mas como ele reconheceria se seu rosto não estava a mostra e tudo que tinha era alguma intuição? Resolveu então sentar, na grama, lembrar da pergunta e assim poderia ser o próximo assunto da próxima conversa deles. Isso. Era isto que ela poderia fazer. De rosto fechado, a voz abafada,acabou perdendo a construção de alguma distração.Tentara novamente a retirada do casaco quando por alguma atitude que tomara naquele instante, do qual ela não lembra, ele começou a sair lentamente do seu corpo e um ar fresco tomou sua pele e a envolveu como ninguém havia feito antes.

Soma.*

o certo
o errado
sem saber
a gente nasce
e juntos
a nossa teoria.

Controle remoto.*

Não gosto quando me roubam sentimentos.
Só eu deveria saber o que faço com eles.

Terça-feira, Outubro 20, 2009

Vai lá, vai lá.*

Eu sinto que posso fazer qualquer coisa.
O medo de não saber me atrai. O que vem depois é o que importa.